Dica do Especialista

Utilização De Elastografia Hepática No Estudo Da Cirrose

Utilização De Elastografia Hepática No Estudo Da Cirrose

28/01/2019 às 17:03

Nos tempos atuais, observa-se o aumento da prevalência de esteatose hepática em todo o mundo, causado principalmente por sedentarismo, obesidade, diabetes mellitus tipo 2 e síndrome metabólica, constituindo-se assim, em um grave problema de saúde pública.
As causas mais frequentes de esteatose hepática são as doenças infecciosas como hepatites B e C, consumo excessivo de álcool, hepatites autoimunes, doença hepática gordurosa não alcoólica, entre outros, podendo determinar o aparecimento do Carcinoma hepatocelular (CHC) que é o quinto câncer mais frequente no mundo.
A cirrose hepática pode ser definida como uma doença crônica, que apresenta múltiplas causas e decorre da constante destruição e regeneração das células do fígado, resultando em fibroses e nódulos. Este processo causa danos graves à estrutura natural do fígado, em alterações hepáticas e em consequente perda das funções do órgão. Cerca de 40% das pessoas com cirrose não sentem nenhum tipo de sintoma, daí a necessidade do diagnóstico precoce.
O exame “padrão ouro” para o diagnóstico de cirrose é a biópsia hepática. Porém, trata-se é um procedimento de alto custo, invasivo e com possibilidade de complicações, sendo passível de erros amostrais.
Nos últimos anos houve o surgimento de métodos não invasivos, de imagem, que quando associados a dados clínicos e laboratoriais, são capazes de diagnosticar mais precocemente os pacientes com fibrose inicial e até a avançada, podendo-se assim instituir tratamento mais precoce. Com o seu uso, é possível monitorar a evolução das formas mais graves, porque podem ser repetidos sem alto custo ou dano ao paciente.
Os métodos diagnósticos por Imagem atualmente são: Elastografia hepática (EH), Tomografia computadorizada, Ressonância Magnética (RM), Elastografia por RM e espectroscopia por RM.
Contudo, o método não invasivo, indolor, sem riscos para o paciente e que fornece informações valiosas sobre a doença hepática é a EH, que por sua vez, possui diversas técnicas disponíveis.
A Elastografia transitória é um procedimento simples, com excelente concordância inter e intraobservador, e apresenta valores de “cut off” bem próximos aos estágios de fibrose, podendo ser usado para monitorizar resposta ao tratamento antiviral. No entanto apresenta-se falho em pacientes obesos, com espaço intercostal estreito ou com ascite, o que limita seu uso, bem como há um número menor de aparelhos disponíveis no mercado.
A EH por Ultrassonografia (US) é realizada em tempo real, e com uma boa janela acústica, o médico operador consegue ter uma visualização direta do fígado, e consequentemente guiar pelo modo B a realização do exame. Este possibilita a identificação de esteatose, das lesões hepáticas por cirrose e suas complicações, tais como hipertensão portal, circulação colateral intra-abdominal, esplenomegalia e ascite. O Doppler color pode fornecer mais dados sobre o atual estágio da doença quando solicitado.
Na EH por US o transdutor do aparelho emite pulsos que atravessam o parênquima hepático e retornam emitindo informações da velocidade da onda que retorna em centímetros por segundo (cm/s), o que apresenta correlação com a elasticidade do fígado. Quanto mais fibrosado e duro o tecido hepático, mais rápido se propaga a onda sonográfica. Em um fígado normal a velocidade média é de cerca de 0,8 a 1,1 cm/s, e na presença de cirrose hepática a velocidade média se encontra acima de 2,2 cm/s.
A elastografia hepática por US também é utilizada como exame determinante pelo SUS em pacientes com Hepatite C, sendo utilizada como exame de controle pós tratamento.
Em pacientes com Doença Hepática Gordurosa Não-Alcoólica (DHGNA) este método tem sido utilizado para o diagnóstico, classificação e evolução de tratamento, concluindo-se em ótimos resultados.
A detecção precoce de hepatopatias crônicas, seu tratamento e acompanhamento da evolução proporciona melhoria de vida aos pacientes, reduzindo as chances do desenvolvimento de cirrose e CHC. O uso racional dos exames de imagem possibilita estes fatos.
 
 

Maria de Lourdes Francescon Barroso
Médica | Registro: CRM 2381
Graduação: Medicina - Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
Especialidades: Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Especialização em radiodiagnóstico pela Universidade V de Paris - Hospital Armand-Trousseau
Residência: Serviço de Radiodiagnóstico do Departamento de Clínica Médica no Hospital das Clínicas da FMRP - USP
Atuação Profissional:Radiologia e Diagnóstico por Imagem

 
Dr. Roberto Luis Marques de Freitas CRM-MT 2936
Diretor Técnico Responsável CRM-PJ 934
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